quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Oceano só



Sou a solidão. Difusa, acelerada e lembro o mar revolto no meio do oceano, inteiramente sugador, cheio de sustos e presas, mistérios azuis, toda uma massa aguada e guerreira. Só, mas não só. Eu que sou a pura vaga alimentada. Carrego comigo a amiga apatia e o amante desespero. Então não sou essencialmente solitária. Tenho a nomenclatura chave de um ser vazio, mas ao mesmo tempo trago os indesejáveis porque estão naturalmente ligados ao meu existir.

Mania de querer perder o rótulo confuso de uma imagem desgastada e aterrorizante. Não nego a minha base destruidora. É o que me faz atuante e louca, ingênua e descompromissada, vagando em fios turquesa com lilás. Gasto o tempo que nem conheço só para apreciar o resultado de estar dentro dos desafortunados, acordando a selvageria adormecida e sacudindo a revolta.

E como um sopro, vento desorientado, sigo através da substância salgada, visitando areias e deixando formas descompostas, transparecendo a minha sina inescapável. Por onde flui meu sangue, o etéreo se desvanece em frescor e doçura. Um dia respirarei outra água. Ou talvez nem liquefaça mais.

3 comentários:

Bangalô Cult disse...

Bonitona, nunca li uma descrição tão indescritível de algo que todos fogem, mas, inevitavelmente, nos alcança.
Bjs

ManivelasdaMente disse...

Que onda! Até me molhou. E, clafro, encantou.

ManivelasdaMente disse...

E o encanto foi tal que até claro se transformou em clafro. Mais uma dica para o inefável acordo ortográfico.