sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Invisível


Será que muitos alguéns já tiveram o destino da transparência? Invisibilidade que arde, teatro da cegueira, sonho sem alimento que insiste em brotar. Esquecer a vida, talvez. Um sim ajudaria. Sem explicações, só incertezas marejam na reta, onde outros já morreram com sintomas de estagnação. Acomodada é a balança, que pesa mais pra lados obtusos. Essa aí não participa do real. E, se um dia chegar, causará espanto. Os nobres não têm chance. Emergiram para fazer história, sem sorrisos, deixando o passado como lição para a doçura da hora. Ao lado, os cegos mandam ovacionar os medíocres. “Quem? O quê?”, diz a brancura do pensamento que não consegue se calar. Mas, a indecência da neblina nos olhos alheios é o que permanece. Tudo isso à espera de um estalar de dedos que diga mais do que uma idéia, que inspire novidade, levante a certeza e core de gloss a intimidade excluída.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Oceano só



Sou a solidão. Difusa, acelerada e lembro o mar revolto no meio do oceano, inteiramente sugador, cheio de sustos e presas, mistérios azuis, toda uma massa aguada e guerreira. Só, mas não só. Eu que sou a pura vaga alimentada. Carrego comigo a amiga apatia e o amante desespero. Então não sou essencialmente solitária. Tenho a nomenclatura chave de um ser vazio, mas ao mesmo tempo trago os indesejáveis porque estão naturalmente ligados ao meu existir.

Mania de querer perder o rótulo confuso de uma imagem desgastada e aterrorizante. Não nego a minha base destruidora. É o que me faz atuante e louca, ingênua e descompromissada, vagando em fios turquesa com lilás. Gasto o tempo que nem conheço só para apreciar o resultado de estar dentro dos desafortunados, acordando a selvageria adormecida e sacudindo a revolta.

E como um sopro, vento desorientado, sigo através da substância salgada, visitando areias e deixando formas descompostas, transparecendo a minha sina inescapável. Por onde flui meu sangue, o etéreo se desvanece em frescor e doçura. Um dia respirarei outra água. Ou talvez nem liquefaça mais.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Disse não


Disse não ao mundo.
Falou em tom elevado o que o extra-de-si precisava ouvir.
Ou talvez aquilo que necessitava explodir.
Gritou maior que trovões.
Assustou com decibéis de trator,
destruindo a camada crespa da indiferença.
Mas quebrou mesmo foi a própria fraqueza da inconstância,
o semblante da incapacidade,
o olhar caído sobre a desilusão.
Dor de quem sabe que nada poderá mudar.
Mudou só o si, porque o lá é vazio.
Berrou tons vermelhos de ódio,
com intenções vingativas,
aquela boca caída de canto,
como quem pisa numa abelha que solta o ferrão,
sofre, arranca o espinho da dor, e mata.