
Sou a solidão. Difusa, acelerada e lembro o mar revolto no meio do oceano, inteiramente sugador, cheio de sustos e presas, mistérios azuis, toda uma massa aguada e guerreira. Só, mas não só. Eu que sou a pura vaga alimentada. Carrego comigo a amiga apatia e o amante desespero. Então não sou essencialmente solitária. Tenho a nomenclatura chave de um ser vazio, mas ao mesmo tempo trago os indesejáveis porque estão naturalmente ligados ao meu existir.
Mania de querer perder o rótulo confuso de uma imagem desgastada e aterrorizante. Não nego a minha base destruidora. É o que me faz atuante e louca, ingênua e descompromissada, vagando em fios turquesa com lilás. Gasto o tempo que nem conheço só para apreciar o resultado de estar dentro dos desafortunados, acordando a selvageria adormecida e sacudindo a revolta.
E como um sopro, vento desorientado, sigo através da substância salgada, visitando areias e deixando formas descompostas, transparecendo a minha sina inescapável. Por onde flui meu sangue, o etéreo se desvanece em frescor e doçura. Um dia respirarei outra água. Ou talvez nem liquefaça mais.
3 comentários:
Bonitona, nunca li uma descrição tão indescritível de algo que todos fogem, mas, inevitavelmente, nos alcança.
Bjs
Que onda! Até me molhou. E, clafro, encantou.
E o encanto foi tal que até claro se transformou em clafro. Mais uma dica para o inefável acordo ortográfico.
Postar um comentário